A Grande Guerra Patriótica do Povo Soviético, havia iniciado em 22 de junho 1941, quando a alemanha nazista, após ter subjugado militarmente e moralmente, quase toda a Europa Continental, invade a URSS sem declaração prévia de gurra. Era deflagrada a chamada Operação Barbarossa, que pretensiosamente buscava aniquilar o Estado Soviético, através da guerra relâmpago em 8 semanas. A agressão à União Soviética foi conduzida não apenas pela Alemanha nazista, mas por todo o bloco fascista-militar, incluindo Itália, Finlândia, Romênia e Hungria, que reuniram um enorme aparato bélico. Esse conjunto de forças contava com 10,4 milhões de soldados, 90.250 peças de artilharia, 6.677 tanques, 13.691 aviões de combate e 459 embarcações de guerra, entre elas 260 submarinos. Durante a Grande Guerra Patriótica, o povo soviético, guiado pelo Partido Comunista, se levantou em uma luta decisiva contra o inimigo fascista. Sob a liderança de J. V. Stalin, o Comitê Estatal de Defesa concentrou todo o poder do país para coordenar os esforços da frente e da retaguarda rumo à vitória. Nenhuma outra nação suportaria o peso dos ataques nazistas como a União Soviética, que resistiu sem hesitação. O povo, inspirado pelos chamamentos do Partido, adotou lemas de combate como “Morte aos invasores fascistas!” e “Tudo para a frente, tudo para a vitória!”, reafirmando sua determinação inabalável em derrotar o inimigo.
Em abril de 1945, as circunstâncias estavam completamente mudadas, o glorioso Exército Vermelho, composto majoritariamente por camponeses e operários, e forjado na resistência contra a agressão do invasor, estava prestes a deferir o derradeiro golpe contra a besta fascista, após ter retomado, palmo a palmo seu território e avançado de vitória em vitória até o coração do III Reich, se encontrava pronto para erradicar tudo aquilo que restava do aberrante fascimo alemão. A ofensiva de Berlim, meticulosamente planejada pelo comando soviético, consistia em romper as defesas alemãs por múltiplas frentes, isolar Berlim e eliminar sistematicamente as forças nazistas até sua total aniquilação. Era a ofensiva decisiva do socialismo contra o maior bastião da barbárie fascista. Desde o início de abril de 1945, a máquina de guerra soviética se movimentava com precisão. A União Soviética havia reunido uma força avassaladora, a maior concentração de material bélico de toda a guerra. O comando soviético dispunha de 40 mil peças de artilharia e morteiros, 6.300 tanques e canhões automotores, 7.300 aviões, e um exército movido por um espírito de missão histórica: vingar cada vida perdida sob a opressão fascista.
A ofensiva soviética sobre Berlim começou em 16 de abril. A artilharia soviética abriu fogo contra as fortificações nazistas, preparando o caminho para o avanço inflexível da infantaria e dos blindados. No dia 21 de abril, os combates já haviam alcançado os subúrbios da capital alemã, e, em 25 de abril, as forças da 1ª Frente Bielorrussa e da 1ª Frente Ucraniana encontram-se em Potsdam, fechando o cerco total à cidade. Os nazistas estavam cercados, sem saída. Naquele mesmo dia, tropas da 58ª Divisão da Guarda fizeram contato com destacamentos estadunidenses no rio Elba, consolidando a aliança antifascista e demonstrando a inevitabilidade da derrota alemã.
A resistência alemã em Berlim era feroz e desesperada. Sabendo que não havia mais possibilidade de recuo, os fascistas transformaram cada rua, cada prédio e cada porão em posições defensivas, impondo uma brutal guerra urbana aos soldados soviéticos. Mas a determinação dos combatentes do Exército Vermelho era inabalável; eles avançavam sob o fogo inimigo, limpando a cidade dos últimos resquícios da tirania fascista. Os combates nas ruas de Berlim se intensificaram entre 25 e 29 de abril. O Reichstag, convertido pelos fascistas em uma fortificação defensiva, tornou-se o símbolo da última resistência alemã. O assalto ao Reichstag teve início ao amanhecer do dia 30 de abril. As tropas da 150ª Divisão, comandadas pelo general V. M. Shatilov, lançaram-se ferozmente contra o edifício, de modo que no entardecer de 30 de abril, após encarniçados combates, travados sala por sala, andar por andar, é realizado um dos gestos mais emblemáticos da história humana. Os sargentos M. A. Egórov e M. V. Kantaria, hastearam, sobre a cúpula do do Reichstag em ruína, a bandeira vermelha do proletariado. Esta, no entanto, não era uma bandeira qualquer. O “Estandarte da Vitória” (Знамя Победы) tal como viria a ficar conhecido, havia sido confeccionado, de modo improvisado, em meio ao calor da batalha, e nele registrado, de modo abreviado, o nome da unidade que capitaneou a gloriosa tarefa: 150ª Ordem de Fuzileiros de Kutuzov, 2º grau, Divisão Idritsa do 79º Corpo de Fuzileiros do 3º Exército de Choque da 1ª Frente Bielorrussa (150-я стрелковая ордена Кутузова II степени идрицкая дивизия 79-го стрелкового корпуса 3-й ударной армии 1-го Белорусского фронта). Era o momento da derrota definitiva do nazismo, a consagração da superioridade do socialismo sobre a decadente ideologia burguesa. O Estandarte da Vitória, içado um dia antes do 1º de Maio – Dia Internacional Proletariado – anunciava ao mundo que a era do terror fascista havia sido se eclipsado pela força da classe trabalhadora, era a prova concreta da superioridade moral, política, militar do marxismo-leninismo sobre aquilo que representava o ápice da decadência ideológica da Burguesia. Cerca de uma hora após o feito, sob o ruir de seu aberrante e prepotente “Reich dos Mil anos”, Adolf Hitler, senil e acovardado, comete suicídio em seu esconderijo subterâneo.
A rendição alemã foi formalizada em 8 de maio de 1945, quando o alto comando nazista assinou a capitulação total e incondicional. O Estado Soviético, garantiu que o triunfo fosse celebrado à altura de sua grandiosidade. Em 24 de junho de 1945, realizou-se na Praça Vermelha de Moscou o Desfile da Vitória, um evento que entraria para a história como a maior demonstração de força do socialismo. Regimentos das frentes de combate marcharam ostentando a glória de sua conquista. E, em um ato carregado de significado, as bandeiras capturadas das divisões nazistas foram atiradas aos pés do Mausoléu do grande Lênin, como um último gesto de humilhação ao inimigo de classe derrotado, uma afirmação categórica do triunfo do socialismo.
Referências
CHUIKOV. V.I., RIABOV. V.S. A Grande Guerra Patriótica da URSS (1941-1945). Edições Nova Cultura, 2018
KARASIOV, A. La Gran Guerra Patria (1941 – 1945) In: SAMSÓNOV, A. et al (Orgs). Compendio de Historia de la URSS – Segunda Parte – Desde la Gran Revolución Socialista de Octubre hasta nuestros días. Moscou: Editorial Progreso, 1965. p. 227 – 271.
MANFRED, A. Z.. La Segunda Guerra Mundial – La Gran Guerra Patria del Pueblo Sovietico. In:MANFRED, A. Z. (ORG.). Historia Universal en Dos Tomos – Tomo Segundo. Moscou: Editorial Progreso, 1976. p. 224 – 257.
GRANDE Guerra Patriótica de 1941-1945: 75 anos da Vitória. Publicações da Embaixada da Russia no Brasil, 2020.
